21 a 22 de Maio de 2011
Casa da Animação, Porto
Organização: Casa da Animação
Comissária: Marina E. Graça
As duas últimas décadas evidenciaram a importância do cinema de animação no panorama cinematográfico e audiovisual nacional e dos conteúdos multimédia, independentemente da plataforma de apresentação. De facto, o potencial criativo e a capacidade de produção revelados neste período, são comprovados por um espólio de filmes, reconhecido internacionalmente pela sua qualidade, capacidade de inovação e diversidade artística, e consolidou o estatuto do Cinema de Animação português, através de selecções regulares nos festivais internacionais de cinema mais prestigiados do mundo.
Difundir e celebrar estas obras, fazer delas um exemplo de vitalidade criativa e produtiva, é um estímulo para um grupo emergente de novos autores e produtores, e fundamental para consolidar e expandir este sector.
O Cinema de Animação português afigura-se actualmente como uma das actividades culturais com maior potencial de desenvolvimento. Se enquadrado estrategicamente, o sector poderá valorizar o seu capital artístico e produtivo, fomentando o surgimento dum mercado interno capaz de gerar emprego e de criar externalidades que derivam da exploração económica das obras no mercado nacional e internacional.
As maiores fragilidades do cinema de animação português são a ainda débil capacidade produtiva (apesar do seu potencial) e a sua escassa visibilidade no país. Por outro lado, ainda é diminuto o grupo de profissionais nesta área, e muitas das vezes, quem desenvolve a sua actividade profissional em animação, não teve formação específica nesta área, e adquiriu os seus conhecimentos em estúdios e de forma algo autodidacta.
Não existem ainda quadros especializados em animação: sejam eles realizadores, argumentistas, animadores, técnicos de pós-produção específicos ou mesmo produtores. Os cursos, mestrados e licenciaturas que versam estas matérias são muito recentes em Portugal, pelo que ainda não é possível observar indicadores e resultados, e aferir sobre a sua eficácia e pertinência.
São, sobretudo, os criadores quem mais sente a carência de profissionais capazes de integrarem as suas equipas de trabalho. Esta advém, obviamente, da falta de formação adequada.
Das informações que fomos reunindo, resulta evidente a necessidade de conjugar esforços no sentido de uma sensibilização de todos os agentes intervenientes na formação em animação, públicas e privadas, para a necessidade de proceder a reestruturações curriculares, adequar objectivos, conteúdos e metodologias, de modo a responder adequadamente às actuais necessidades ao nível da criação e produção de cinema de animação. Mas também de criar uma plataforma que articule as instituições de ensino, criar uma rede de cooperação operacional e eficaz.
Face ao exposto, pretende-se com a organização deste simpósio dedicado à formação no sector da animação:
1. Reunir todos os responsáveis dos cursos existentes com disciplinas de animação, nos
vários níveis e contextos de ensino (a nível superior foram identificados 15 conforme anexo 2);
2. Produzir / Confirmar um conjunto de recomendações para a direcção dos cursos actuais,
Ministério da Educação e Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior;
3. Promover a realização de um estudo sobre a situação do ensino e da formação de Animação; e também sobre as necessidades do mercado.
4. Articulação entre níveis de ensino (secundário e superior) e entre empresas e instituições de
ensino,tendo em vista a reestruturação ou adequação curricular dos cursos actualmente em funcionamento e criação de novos cursos;
5. Criação de parcerias entre empresas e instituições de ensino de forma a adequar tanto as
condições de realização dos Estágios Curriculares quanto as dos Estágios Profissionais.
6. Criar bases para o desenvolvimento de projectos em parceria.
7. Criar uma plataforma da animação – criação das bases para um observatório sobre a formação de animação em Portugal e também sobre o desenvolvimento das actividades nessa área.




